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Navio-plataforma FPSO Cidade de S‹o Paulo no campo de Sapinho‡ na Bacia de Santos *** Local Caption *** O FPSO Cidade de S‹o Paulo est‡ ancorado no campo de Sapinho‡, no polo PrŽ-Sal da Bacia de Santos, em l‰mina d«‡gua de 2.140 metros, a 310 km da costa.

Indústria naval e conteúdo local: crise, desenvolvimento e a Petrobras

Edson Carlos Rocha*

O Brasil vive uma crise política muito maior do que econômica. Parecem aquelas brigas de família em que só por questões de ego um torce para que o do outro dê errado só porque o dele não deu certo. Enfim, a crise no emprego precisa ser revertida. Para isso acontecer, é preciso união.

Precisamos capitalizar a Petrobras, precisamos separar as pessoas das empresas e entidades, e para isso é necessário aprovar a Lei de Leniência, para que nós, trabalhadores, não paguemos a conta.

Os trabalhadores metalúrgicos e da construção civil talvez sejam os mais afetados atualmente. Sabemos que empresários destes setores não são os melhores nem os mais dignos, mas também sabemos que os trabalhadores não cometeram nenhum crime.

Digo isso, pois, nas decisões da justiça brasileira, no que diz respeito à Operação Lava Jato, parece não ser bem assim. Pois quando condenam empresas e as proíbem de receber da Petrobras pelos serviços prestados, inevitavelmente, estão condenando os trabalhadores, porque a primeira atitude das empresas é cortar seu quadro de funcionários. E é o que estão fazendo. E em alguns casos sem pagar as verbas rescisórias.

Sem sombras de dúvidas, a Petrobras é a empresa brasileira que alavancou o crescimento do país nos últimos anos. Precisamos construir uma maneira de dar continuidade a esse crescimento e ao desenvolvimento.

Penso que somente a união da sociedade em torno de um projeto de Estado e de defesa do interesse nacional poderá nos tirar da situação em que estamos.

A Petrobras precisa ser capitalizada? Sim! Mas precisamos manter os empregos, precisamos que o petróleo brasileiro ajude o povo a atingir o estado de bem-estar social e não somente atender aos interesses de alguns.

A indústria naval brasileira, hoje, depende unicamente da demanda da Petrobras. Espero que esta crise acorde empresários, trabalhadores e governo para buscar uma alternativa.

Que se crie uma política perene para este setor, pois é inadmissível imaginar um país com a zona costeira como a do Brasil ter de depender de empresas estrangeiras de navegação para transportar seus produtos.

Assim, precisamos defender uma política de cabotagem para o Brasil. Nós somos um país exportador de produtos, por que não os exportamos com navios de bandeira brasileira? A navegação de longo curso já teve a bandeira brasileira tremulando nas embarcações mundo afora. O que falta para entendermos as nossas vocações naturais? Precisamos explorá-las.

A Petrobras é hoje a grande alavancadora da indústria naval brasileira e precisamos que continue assim. Mesmo porque, o que faremos com os novos estaleiros que construímos e os jovens que, acreditando na grande demanda do petróleo, investiram suas vidas e apostaram em carreiras que estão intimamente ligadas a estas indústrias?

Por isso, enquanto não ultrapassamos a tão famosa curva de aprendizado, precisamos continuar apostando na política do conteúdo nacional mínimo. Que se danem a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (EU).

Vamos continuar investindo no Brasil e no povo brasileiro, afinal foi assim que os povos desenvolvidos cresceram. Será que eles acham que não sabemos? Aliás, acertadamente o governo vem cada vez mais adotando a política de conteúdo local em vários outros setores.

Enfim, neste momento creio ser a Petrobras fundamental para a continuidade do desenvolvimento do país. Por isso, mesmo com o desinvestimento proposto no Plano de Negócios 2015/2019, é fundamental que iniciemos as obras o mais rápido possível para não parar o Brasil, sob pena de perdermos o bonde da história.

Precisamos continuar trabalhando enquanto pensamos na solução para o futuro. A dignidade de seu povo é que faz um país forte.

* – É presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí.

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