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Diretoria de Petrobras não quer trabalhar e opta por entregar

Cláudio da Costa Oliveira*

 

Pedro, Hugo, Ivan, João, Nelson, Roberto e Solange, “na melhor das hipóteses”, foram conduzidos pela “lei do menor esforço” e dos objetivos fáceis, quando elaboraram o plano de negócios para o período de 2017 a 2021, apresentado nesta segunda-feira, 19 de setembro.

O plano oficializa o maior crime de lesa-pátria já cometido contra a nação brasileira, com substancial queda nos investimentos, aumento da venda de ativos, não cumprimento dos compromissos de conteúdo local, e meta de alavancagem de 2,5 estabelecida por Wall Street.

Mas afinal, a quem deve servir a Petrobras, ao Brasil ou ao mercado financeiro? A corrupção ocorrida na Petrobras, que está em processo de apuração na Operação Lava Jato, tornou-se argumento para iludir a opinião pública e permitir que crimes muito maiores sejam cometidos.

De 2010 a 2014 a Petrobras investiu mais de US$ 200 bilhões, uma média anual superior a US$ 40 bilhões. Foram gerados milhões de empregos e iniciou-se um movimento de estímulo à indústria local para atender às demandas do setor de petróleo e gás. Com os elevados preços internacionais do barril, a Petrobras passou a subsidiar o combustível no mercado interno, cumprindo seu papel de empresa estatal brasileira. Apesar disto, a empresa apresentou elevados lucros durante todo o período, distribuindo dividendos e participação a seus empregados.

Mas este conjunto de políticas irritou enormemente Wall Street. O elevado nível de investimento fez aumentar o endividamento da Petrobras e, consequentemente, o pagamento de juros cresceram, reduzindo os lucros. Da mesma forma o subsidio ao mercado interno diminuía os lucros. Redução de lucros significa menor  pagamento de dividendos. Wall Street não admite isto. Assim, o valor das ações da Petrobras caíram no mercado de capitais.

Concomitantemente, a Petrobras desenvolvia tecnologias e tornava viável o pré-sal, criando crescente  interesse das petroleiras americanas (Exxon, Chevron etc) nas nossas reservas.

Uma forte campanha contra a política da Petrobras foi iniciada com o apoio de parte importante da mídia, buscando desacreditar, junto à opinião pública, os objetivos de desenvolvimento nacional buscados pela empresa.

Assim, foram feitas afirmativas inverídicas de que a empresa estava quebrada, que precisaria de aportes do governo, que deveria fazer acordos judiciais etc, etc., com o objetivo claro de justificar a entrega das reservas descobertas às empresas estrangeiras.

Ora, na indústria do petróleo o principal problema é descobrir as reservas, e isto foi feito pela Petrobras sem ajuda de ninguém. O segundo problema é viabilizar economicamente a exploração, e isto também foi feito pela Petrobras sem ajuda de ninguém. Cumpridas estas duas etapas recursos não faltam para execução dos projetos.

Mas, como já falamos, Pedro, Hugo, Ivan, João, Nelson, Roberto e Solange, “na melhor das hipoteses” não querem muito trabalho. Investimento dá muito trabalho por si só e ainda precisa de financiamento (mais trabalho ainda). É melhor entregar as reservas para empresas estrangeiras e os problemas ficam com elas. Conteúdo nacional também dá muito trabalho e recentemente a Petrobras solicitou à ANP autorização para contratar no exterior a primeira plataforma de petróleo da área de Libra no pré-sal. O contrato de Libra prevê conteúdo local mínimo de 55%, mas um instrumento legal (waiver), permite o perdão pelo não cumprimento do compromisso.

Além disso, a venda de ativos nas áreas de fertilizantes, bio-combustíveis etc, conquistados em décadas de trabalho e que atendiam os objetivos da empresa estatal, é necessária, pois tais ativos não são compatíveis com uma empresa de mercado. As vendas mesmo que a preço de banana podem gerar lucros e dividendos no curto prazo e colaboram com o atingimento da meta de alavancagem de 2,5 estabelecido por Wall Street.

Com isto, Pedro, Hugo, Ivan, João, Nelson, Roberto e Solange devem receber os aplausos de Wall Street, das petroleiras estrangeiras e de grande parte mídia nacional. As ações da Petrobras vão subir de valor e a empresa receberá de volta o “grau de investimento”. “É Fantástico”.

Para os brasileiros ficarão a poluição e os grandes buracos vazios nas profundezas como ocorreu no ciclo de ouro.

Comemorando a apresentação do novo plano de negócios, Pedro, Hugo, Ivan, João, Nelson, Roberto e Solange também encaminharam aos petroleiros uma proposta de ACT, que “na melhor das hipóteses” podemos chamar de: ridícula.

*Cláudio da Costa Oliveira é economista aposentado da Petrobras 

| O projeto Diálogo Petroleiro e seus idealizadores não se responsabilizam pelas opiniões de seus articulistas, que são os responsáveis pelos posicionamentos publicados.

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