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As petroleiras estrangeiras também “endeusaram” o pré-sal

Claudio da Costa Oliveira*

Em evento promovido pela revista Exame, na última sexta-feira (30/09) em São Paulo, Pedro Parente disse: “Houve um endeusamento do pré-sal”.

Durante o governo FHC, precedendo a privatização de empresas, era feita uma campanha de desvalorização das estatais, chamadas de “elefantes” etc, com o objetivo de ganhar a opinião pública. Assim muitas estatais foram entregues para determinados grupos que as revendiam logo depois.

Agora Pedro Parente habituado com esta técnica, tenta desqualificar o pré-sal para justificar a sua entrega para as petroleiras estrangeiras, dentro do “Projeto Lesa-Pátria” em andamento.
Parente chama de “parcerias” a entrega da exploração do pré-sal para as petroleiras estrangeiras dizendo: ”As parcerias trazem várias vantagens para a Petrobras. Desoneram investimentos, aumentam a capacidade de investimento na cadeia como um todo.”

Assim o Plano de Negócios e Gestão 2017/2021, recentemente apresentado pela Petrobras, prevê investimentos mínimos em exploração, significando que esta atividade vai ser totalmente entregue para as petroleiras estrangeiras.

Ou seja, caberá às petroleiras estrangeiras descobrir o que já está descoberto, explorar o que já foi explorado. Caberá às petroleiras estrangeiras o “filet mignon” do pré-sal.

Um bom exemplo disto foi a recente “parceria” da Petrobras com a Statoil, petroleira estatal norueguesa, na venda do campo de Carcará.

A Statoil pagará à Petrobras US$ 2,9 bilhões pelo direito de exploração do campo. Segundo a própria Petrobras o campo exigIrá investimentos de mais US$ 8 bilhões para iniciar a produção em 2020. Como informado também pela Petrobras o custo de extração hoje está em torno de US$ 9 o barril.

A Statoil ressaltou que o campo de Carcará tem reservas entre 1 a 1,5 bilhões de barris, apesar de alguns especialistas acreditarem que estas reservas sejam muito maiores.

De qualquer forma, na pior das hipóteses, a Statoil investirá neste projeto US$ 19,9 bilhões ( 2,9 + 8 + 9 ), considerando que a reserva atinja somente 1 bilhão de barris.

Sendo que o PNG 2017/2021 da Petrobras, estima que o preço do petróleo em 2020 estará em US$ 71 o barril , na pior das hipóteses a Statoil arredará US$ 71 bilhões neste projeto.

Portanto a expectativa da Statoil, na pior das hipóteses, é de um lucro de US$ 51,1 bilhões ( 71 – 19,9 ) no projeto . Fica então claro o motivo da alegria do presidente da Statoil, ao assinar esta “parceria”.

E lembrem-se de que Carcará é uma parcela muito pequena de tudo que a Petrobras descobriu no pré-sal.

Após recente reunião com Michel Temer o presidente mundial da Shell informou que, pelas garantias que recebeu, a empresa vai priorizar os investimentos em “parceria” com a Petrobras no pré-sal.

Podem crer que depois de Statoil e Shell, vem aí Exxon, Chevron, BP etc. Quem não vai querer?

A pergunta que fica é: além das petroleiras estrangeiras quem mais vai lucrar com isto?

O Brasil vive a séculos tentando encontrar um caminho para se desenvolver e quando a oportunidade aparece ela é tratada desta forma.

Pelo visto as petroleiras estrangeiras também “endeusaram” o pré-sal. Não podemos admitir que o “Projeto Lesa-Pátria” de Pedro Parente tenha prosseguimento.

*Cláudio da Costa Oliveira  é economista aposentado da Petrobras.

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