Home / Artigos / Afinal de contas, a Petrobras pode quebrar?

Afinal de contas, a Petrobras pode quebrar?

A resposta é talvez. Se vamos fazer dos desafios uma oportunidade para os entreguistas/vira-latas de plantão executarem seus planos de quebrar a companhia, então, sim, ela vai ser destruída. Agora, se vamos enfrentar os obstáculos de cabeça erguida, ciente dos erros cometidos, mas sabendo que eles não são maiores do que a empresa, que vem no rumo certo nos últimos anos, a resposta é não! Pois da aprendizagem nascerá uma Petrobras mais forte, transparente, sustentável e eficaz.

Ao acordar para um dia normal de trabalho, estudo ou mesmo naquela folguinha merecida, o seu dia pode ser cheio de surpresas! Mas uma coisa é certa: você vai encontrar alguma “notícia” falando mal da Petrobras.

Na leitura do jornal de manhã, ou na timeline do twitter. No telejornal da TV aberta, na mesa de discussão do canal fechado ou ainda naquela mensagem do whatsapp (que vem depois daquele vídeo engraçadinho do “bom dia grupo”) você certamente vai encontrar um cenário apocalíptico da maior empresa do País.

No desenrolar do dia, quando for pegar um ônibus para se deslocar, vai escutar duas pessoas falando que o PT quebrou a Petrobras. Se for de carro, vai ligar o rádio e escutar um especialista falar que deveriam privatizar a empresa ou abrir a exploração do Pré-sal.

Na pelada semanal, quando for reclamar de uma jogada, vai escutar “para de roubar! Tá parecendo petroleiro”. No salão de beleza, vão te falar que suas unhas estão lindas, mas também que a gasolina vai aumentar 10% ao mês até 2018.

Já na discussão de mesa de bar, alguém vai te dizer: A Petrobras está quebrada e fulano ouviu dizer que a carta de falência já está na mesa da Dilma… Parece que a Venezuela vai comprar, numa tal de “Feira de São Paulo”!

Mas, afinal, é para isso tudo mesmo?!

Estamos falando da maior empresa do País, de um orgulho nacional. Vamos, então, por partes:

A verdade é que a situação da empresa é mesmo bem complexa e não enxergar isso é um erro crasso!

Primeiro, pois a dívida da empresa é grande devido a um investimento ousado que a companhia corajosamente assumiu (complica mais por ser grande parte em dólar).

Em segundo lugar, porque as denúncias da Lava Jato são mesmo muito graves. Pessoas de dentro da empresa cometeram malfeitos que prejudicam diretamente os planos e as ações da companhia. Vale lembrar que corrupção nada mais é que falta de ética coletiva e de respeito às leis do País, e atitudes como essas desestabilizam qualquer instituição democrática.

Por fim, o balanço não auditado é outro problema a ser tratado. A empresa precisa ter credibilidade para honrar as dívidas atuais e poder contrair outras. Qualquer situação diferente disso, no nosso sistema capitalista atual (que eu considero ultrapassado e injusto, mas é o que temos por enquanto), seria um desastre.

Por que, então, não achar mesmo que a empresa está indo para o abismo?

Simplesmente porque isso não configura um cenário completamente catastrófico.

A dívida é grande, mas a geração de resultados é favorável. Ademais, a não flexibilização do preço dos combustíveis, que outrora era um grande vilão devido às importações de derivados, hoje irá ajudar a empresa a manter seu caixa maior sem precisar exagerar nos empréstimos.

Os desvios aconteceram, mas estão sendo investigados e a empresa se comprometeu a criar mecanismos (muito tímidos ainda, mas é um começo) de governança que mitiguem tais ações. E os esforços para a auditoria do balanço até agora trazem uma boa perspectiva acerca do assunto.

Ou seja, os obstáculos atuais são difíceis, mas efêmeros comparados com a grandeza histórica da empresa. Hoje a Petrobras, que saltou de 3% para 13% de participação no PIB nacional, pode explorar uma grande reserva de petróleo, possui uma tecnologia invejável e ainda irá colher frutos já plantados pelos investimentos arrojados dos últimos anos, garantindo a manutenção dos recordes de produção e refino.

Há, portanto, que se desconfiar dessa visão seletiva e pessimista que muitos (ex)grandes formadores de opiniões do País tentam apresentar (qualquer semelhança com o pessimismo pré-realização da Copa 2014 pode ser mera coincidência).

Nesse sentido, alguns questionamentos se fazem necessários: pode uma empresa tão robusta, respeitada e admirada, que cresceu esplendidamente na última década, ser abalada pelos desvios de meia dúzia de funcionários?

Uma companhia que ajudou a escrever a história desse País, passou por regimes ditatoriais e democráticos, neoliberais e estadistas, ficar a mercê de atitudes meramente políticas deixando o corpo técnico de lado?

E, principalmente, quem ganha com a destruição da Petrobras? (independentemente da empresa, as reservas de petróleo estão guardadas para alguém “somebody” pegar).

A certeza que fica, portanto, é de que temos um grande desafio pela frente para guiar nossa petrolífera a passar por esses obstáculos e sair ainda mais forte do que entrou. Não vai ser fácil fazer o enfrentamento das forças e desejos entreguistas, que querem uma companhia sem compromisso social para doá-la para “o mercado” e engordar o lucro de uma minoria que não quer largar o osso em prol de um mundo mais igual e justo.

O que nos resta, assim, é o enfrentamento, de cabeça erguida!

Ir para as redes sociais fazer o contraponto e mostrar os fatos (e.g. Militante que bate, também apanha; A maior produção de óleo para empresas de capital aberto é nossa; e números aleatórios não podem virar verdade factual). Vamos, também, às ruas demonstrar nossa vontade de contar com a Petrobrás como vanguarda do desenvolvimento nacional (Somos 200 milhões de petroleiros)!

Ao fim sobrará aos entreguistas, pela enésima vez, o sabor amargo da derrota (eles estão em má fase desde 2002)! E nos bares, salões, ônibus, peladas e afins, irão faltar tempo e espaço para discutirmos a melhora da educação, o desenvolvimento tecnológico, a geração de empregos e até mesmo a geopolítica do petróleo. Afinal, estaremos no hall dos grandes produtores do mundo!

Veja Mais

Alternativas para o setor petrolífero e para a Petrobras

Estudo parlamentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *